˜”*°•.˜”*°• A exaustão, a nostalgia, a overdose, a depressão, todas elas grandes tecedeiras (e sintomas de um regime destrutivo) do século XXI, potenciam-se através de um espelho negro.
Este espelho é uma prótese de pequena escala que tem vindo a acompanhar muitos dos nossos corpos.
Terras ocupadas pelo ser humano foram engenhosamente cobertas por redes que criam mundos online.
Vivemos no ciberespaço, onde as imagens circulam e constroem um léxico adivinhatório dos tempos por vir. São catalisadoras de políticas afectivas intra e intersubjectivas, reconfigurando-as a determinadas correntes estéticas.
E de que modo estas correntes interpretam o mundo?
E como se traduzem no mundo offline?
A partir do material discursivo e imagético, as diferentes comunidades cibernéticas evocam o futuro, contaminando-o, regenerando-o.
O olho ciclópico propõe a sua dissecação.
Criemos, então, um glossário vivo que ausculte futuros não-lineares e não-apocalípticos, que semeie a imaginação radical como ferramenta emancipatória de mundos diversos e justos. •°*”˜.•°*”˜
Se o realismo capitalista nos rouba a capacidade de pensar em modos alternativos de estar, devemos reclamá-la. Reapropriemo-nos, então, dos resíduos do presente e concebâmo-los como matéria-prima para a contra-visualização.
Só a partir da contra-visualização poderemos transformar a pergunta “como evitar o fim?” na pergunta “o que pode surgir do fim?”, transformando o fim apocalíptico na sua própria recusa.
Comecemos pelo fim da passividade para com as imagens dominantes que moldam o nosso imaginário colectivo.

Ao contrário de um olho que tudo vê, é panóptico e disciplinador, o
vê para dentro e é composto por múltiplos sujeitos, transformando-se num dispositivo de contaminação e co-criação.
O
é um órgão que observa, é observado e não pertence a ninguém.
O
foi, desde o seu começo, pensado como um conjunto de encontros para contra-visualizar, através de exercícios práticos que resgatam os objectos imagéticos do mundo online e os devolvem com um outro significado. Este grupo surge das fendas das neo-escatologias contidas na dimensão ciber e procura envolver-se com a heterogeneidade e a não linearidade dos futuros humanos.